Hoje, mais cedo, num final de tarde maravilhoso, ao acaso, passei pela irmã que aguardava a minha mãe em compras, num contexto que me fez lembrar das fábulas de Mil e Uma Noites no oriente distante.
Com uma recente cirurgia na coluna e empreendendo esforços para além da recuperação física, a material, típica da proposta de capitalismo selvagem oriundo de camadas e mais camadas de imperialismo nos países subdesenvolvidos. Voltava a pé do parque Barigui, numa última tentativa de exaurir meus esforços do dia ao visitar a padaria Nema, que fica ao lado da casa de minha mãe, para a renovação de um contrato e o recebimento do jus necessário para, entre outras brevidades necessárias, o remédio prescrito.
Surpreso ao encontrá-la num happy hour bem atípico, em pleno desaniversário, dentro do precioso BMW M7, numa expressão lambuzada de tâmaras, delícias estas que afetavam a plena pronúncia e dicção num balbuciar: “aceita uma??”
Automaticamente me atrevi num movimento contrário já que minhas prioridades, como expliquei anteriormente, se viam tratar por uma noção de urgência quase extrema.
Numa sempre vã tentativa, expliquei:
“puxa, acabou meu remédio e hoje já fui ao limite” lembrando que a minha primeira excursão OOH, (Out Of Home), havia sido às 7 da manhã. Muito bem, entre uma tâmara e outra, supus ter ouvido alguns impropérios típicos mas, relevei, uma vez que estava atrasado para a finalmente última reunião do dia.
Reunião concluída, liguei novamente para tentar localizar a minha mãe, já que qualquer medicação necessária dependia da referida reunião ou, em último caso, da gentileza materna de me emprestar o numerário correspondente. Possivelmente a exorbitância de tâmaras ainda perdurava e a pompa sultanesca também, pois ouvi grunhidos que sugeriam desligar rapidamente o telefone.
Mais tarde, pude comprovar a atitude e o cenário quando ambas, mãe e irmã, me contemplaram com o remédio prescrito numa breve visita.
Umas queridas!




