Orgulho de ser  brasileiro

A surpresa vem mesmo com a especular Tânia Maria, atriz potiguar de 78 anos que interpreta Dona Sebastiana, personagem que recebe Marcelo, personagem de Wagner Moura, na cidade. Ela é brilhante. Temos uma senhora despachada e tão autêntica que é impossível não simpatizar logo de cara, uma vez que é ela a principal responsável pelo toque de solidariedade e acolhimento na trajetória bruta do protagonista. E tudo fica ainda melhor com a informação de que ela é relativamente iniciante na carreira de atriz e, antes, trabalhava como artesã.

O cinema dentro do cinema de Kleber Mendonça

Assim como em seu filme anterior, Retratos Fantasmas, a sétima arte é uma personagem à parte, que ajuda a contar a história de O Agente Secreto. Tendo o tradicional Cinema São Luiz, na capital pernambucana, como cenário emblemático, o longa ainda traz referências a clássicos como Tubarão.O blockbuster de Steven Spielberg aparece em uma conexão peculiar com a história – e é melhor deixar os detalhes sobre isso a serem descobertos na sessão –, mas é interessante a ligação entre o terror do monstro hollywoodiano e o lado mais obscuro de O Agente Secreto. “Pesadelo eu já tenho sempre”, justifica a criança do filme ao ser proibida de assistir Tubarão no cinema. Bem, não é melhor, então, encarar o monstro de uma vez? É por esse caminho que as referências ao próprio cinema me levam: entender a ficção também é uma forma de encarar a realidade.

São diversos outros momentos em que o ambiente do cinema aparece em O Agente Secreto e, acompanhando a obra de Kleber Mendonça Filho, fica claro, novamente, como o cineasta se coloca como parte intrínseca de sua obra. Os lugares por onde passou, suas memórias e sua posição no mundo, lógico, aparecem de forma contundente e confiante.

Um ano após a edição do Oscar que tornou Ainda Estou Aqui um marco no cinema brasileiro, a escolha de O Agente Secreto como representante brasileiro para o Oscar 2026 (ainda como concorrente à vaga na categoria de Melhor Filme Internacional no momento da publicação deste texto), chama comparações, mas não consigo encontrar elementos efetivamente similares entre um e outro, com exceção do período histórico em que as duas histórias são contadas. Nossa identidade é única, mas também é ampla e diversa e, a esse reconhecimento, cabe melhor um momento especial de celebração do cinema brasileiro.

Globo de Ouro para ” O Agente Secreto” é destaque nos principais jornais pelo mundo.

Esta é a primeira vez na história que o Brasil venceu dois prêmios em uma mesma edição do Globo de Ouro. Longa brasileiro levou melhor filme em língua não-inglesa e melhor ator, com Wagner Moura.

A vitória de “O Agente Secreto” no Globo de Ouro foi destaque nos principais jornais do mundo. O longa brasileiro levou o prêmio nas categorias melhor filme em língua não-inglesa e melhor ator, com Wagner Moura.

Esta é a primeira vez na história que o Brasil vence dois prêmios em uma mesma edição da premiação.

Wagner Moura vence Globo de Ouro de melhor ator em filme de drama

O jornal “Washington Post” destacou que Wagner Moura “Não para de quebrar recordes” e lembrou que ele foi o primeiro brasileiro indicado como ator principal no Globo de Ouro, o primeiro sul-americano a vencer em Cannes e o primeiro latino a ganhar o prêmio de melhor ator nos 90 anos do Círculo de Críticos de Cinema de Nova York (NYFCC).

A publicação também repercutiu o discurso do diretor Kleber Mendonça Filho, que dedicou o prêmio aos jovens cineastas e afirmou que este é um momento crucial para o cinema internacional.

No Reino Unido, o “The Guardian” lembrou que, um ano depois de Fernanda Torres se tornar a primeira brasileira a vencer um Globo De Ouro, Wagner Moura se tornou o segundo artista do país a conquistar a estatueta.

Na França, “Le Figaro” destacou que o cinema brasileiro alcançou uma vitória dupla histórica, consolidando o Brasil como uma das forças do cinema autoral contemporâneo.

O jornal espanhol “El País” ressaltou que, em uma categoria altamente competitiva, o filme brasileiro superou produções europeias e levou o prêmio de melhor filme em língua não inglesa. Na Argentina, o “Clarín” também repercutiu as vitórias brasileiras e disse que Wagner Moura dever ser indicado ao Oscar de melhor ator.

Noite histórica
“O Agente Secreto” levou dois dos três prêmios a que foi indicado na cerimônia do Globo de Ouro 2026, deste domingo (11). Esta é a primeira vez na história que o Brasil vence dois prêmios em uma mesma edição do Globo de Ouro.

“É uma emoção retada”, disse Wagner Moura em entrevista à TV Globo.
Em 1999, quando “Central do Brasil” foi indicado às categorias de melhor filme em língua não-inglesa e melhor atriz em filme dramático (Fernanda Montenegro), levou somente a primeira.

Já em 2025, “Ainda Estou Aqui” foi indicado a duas categorias, mas venceu só em melhor atriz em filme dramático (Fernanda Torres).

Neste ano, “O Agente Secreto” chegou ao Globo de Ouro com três indicações e venceu melhor ator (Wagner Moura) e melhor filme em língua não-inglesa. Já na categoria de melhor filme dramático, perdeu para “Hamnet: A vida antes de Hamlet”.

Ambientado nos anos 1970, “O Agente Secreto” conta a história de um professor universitário, interpretado por Wagner Moura, que volta para o Recife para reencontrar o filho caçula, apesar do risco que corre em plena ditadura militar.

Wagner Moura venceu o prêmio de melhor ator em filme de drama. Ele foi o primeiro ator brasileiro a levar essa categoria.

No discurso, o brasileiro agradeceu especialmente ao diretor Kleber Mendonça Filho e falou sobre a mensagem de “O Agente Secreto”.

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