Na tradição consolidada atualmente, sobretudo nos países do Hemisfério Norte, o coelho da Páscoa é aquele quem traz os ovos de chocolate e os esconde para que as crianças possam procurá-los. Assim, é comum que, durante a Páscoa, os pais escondam os ovos de Páscoa para que as suas crianças procurem por eles.
Existem muitas teorias a respeito da origem do coelho da Páscoa, algumas afirmam que a associação do coelho com a Páscoa tem origens pagãs, enquanto outras teorias sustentam que o coelho, desde a Idade Média, já possuía uma relação direta com o Cristianismo. De fato, neste momento, é impossível sustentar qual das duas teorias é a correta, mas, de toda forma, elas nos fornecem elementos para pensarmos sobre o assunto.
Primeiramente, a consolidação do coelho como símbolo da Páscoa (e da maneira como comemoramos essa festa) aconteceu por volta do século XIX e está diretamente relacionada com a transformação da forma como o mundo ocidental enxergava as crianças.
A partir do século XVII, tal forma transformou-se radicalmente, e a infância começou a ser vista como um momento preparatório para a vida adulta.
O pássaro (transformado em coelho) não estava feliz com a transformação e desejou voltar à sua forma original. Depois que isso aconteceu, como forma de agradecimento, o pássaro deixou alguns ovos coloridos para a deusa, que, então, os deu de presente para as crianças. Essa teoria fez com que Ostara fosse popularizada como a origem da associação dos ovos coloridos com o coelho e a Páscoa.

Tal vínculo do coelho com a Páscoa, pela via da deusa, na cultura do Hemisfério Norte (Alemanha e Estados Unidos, principalmente), tem como referência também uma citação de Jacob Grimm, que, em um livro sobre a mitologia germânica, publicado no século XIX, afirmou sua existência.
A relação da Páscoa cristã com a deusa Ostara também foi encontrada em uma citação de Beda (também conhecido como Venerável Beda), padre do século VIII. Apesar disso, não existe embasamento histórico que sustente o argumento recém-apresentado. Inclusive, é importante pontuar que o consenso existente é o de que a Páscoa é uma festa cristã, originária de uma festa de origem hebraica (a Pessach).
Cristianismo

Algumas teorias também apontam que o coelho da Páscoa pode ter surgido do Cristianismo, conforme pontuaremos nesta parte. Primeiramente, deve ser mencionado que as possíveis origens cristãs do coelho da Páscoa têm associação inicial com a lebre. Com o passar do tempo, a figura da lebre foi sendo substituída pela do coelho, um animal mais dócil e que se encaixava nas tentativas de tornar a Páscoa uma comemoração mais doméstica, conforme mencionamos no começo deste texto.
Em inúmeras construções de iconografia cristã, a lebre (ou o coelho) aparecia, e, aparentemente, na mentalidade cristã da Idade Média, existia uma relação (muito estranha para nós) da lebre com a virgindade. Isso fazia com que o animal aparecesse junto à Virgem Maria, e a origem dessa colocação pode ocorrer pelo fato de que muitos acreditavam que a lebre era um animal que se reproduzia assexuadamente.
Essa colocação das lebres (e coelhos) ao lado da Virgem Maria resultou até em uma obra de arte conhecida como “A Virgem com o coelho”. Essa pintura foi produzida por Tiziano Vecellio e mostra a Virgem Maria segurando um coelho branco, o qual era enxergado como um símbolo de pureza.
Além disso, existe uma gama de outros objetos da iconografia cristã em que há a presença de coelhos e lebres, como os encontrados em Devon, na Inglaterra. Nas igrejas medievais dessa cidade inglesa, existem uma série de cruzes que possuem um círculo com três lebres (ou coelhos) interligados pela orelha. As teorias que explicam esse círculo de lebres são as duas seguintes:
– As lebres (ou coelhos) eram entendidas como um símbolo de castidade, pela crença existente de que elas conseguiam reproduzir-se sem perder a virgindade.
– Esses animais eram representados como um símbolo da Trindade, importante conceito do Cristianismo. Inclusive, os historiadores identificaram um padrão no qual, em diversos locais, o círculo com as três lebres era colocado próximo a símbolos pagãos, o que sugere uma substituição de um ícone pagão por um ícone cristão.

Outra relação do coelho com o Cristianismo sugere como, em muitos locais do Hemisfério Norte, o coelho passou a ser visto como um símbolo cristão. Isso porque, durante a época em que a Páscoa era comemorada (próxima ao Equinócio de Primavera), o coelho era um dos primeiros animais a serem vistos com o fim do inverno. Isso fez com que o animal passasse a ser enxergado como um símbolo da renovação e, portanto, da ressurreição.
Por fim, uma outra teoria sugere que a associação do coelho com a Páscoa foi obra dos protestantes, que afirmavam para as crianças, que os ovos acumulados (resultado da Quaresma) eram trazidos pelos coelhos, sob a ótica que esses eram símbolos de fertilidade.



