Numa época em que o mercado tecnológico era dominado por homens, Stephanie Shirley adotou o pseudônimo de “Steve” para driblar o sexismo e fundar a Freelance Programmers em 1962. Com uma visão inovadora, ela desafiou as normas de gênero, implementou práticas de trabalho remoto para mulheres e, eventualmente, transformou sua startup de software em um império avaliado em quase £150 milhões.

O plano não parecia ter muita chance de dar certo. Primeiro, porque ela era mulher em um mundo que ainda era controlado pelos homens. Segundo, porque só tinha US$ 10. Ela também não tinha um escritório, mas apenas a sala de jantar da sua casa.
E, para completar, sua ideia era vender programas de computador, que na época pareciam algo sem valor. As máquinas é que eram e sempre seriam importantes, na opinião dos especialistas.
“Eles literalmente riram de mim”, recordou ela, na entrevista à BBC. “Naquela época, os programas eram oferecidos de graça, de forma que tentar vendê-los era uma ideia nova.” “Eles também riram de mim, sobretudo, porque eu era mulher. Mas sou uma pessoa orgulhosa e não gostei daquilo. De forma que fiquei determinada a sobreviver.” E, com certeza, ela sobreviveu.
Shirley começou a trabalhar muito. Ela escreveu centenas de cartas para possíveis clientes, tentando convencê-los de que, para poder realmente aproveitar um computador, era preciso desenvolver
programas que dissessem às máquinas o que elas deveriam fazer.
A indústria foi hostil e muitas das suas cartas foram ignoradas. Até que seu marido deu uma ideia: e se ela assinasse as cartas com o nome de um homem? Foi então que ela adotou o pseudônimo de Steve Shirley. Depois disso, as respostas logo começaram a chegar.
UMA EMPRESA PARA MULHERES
Desde o primeiro dia, Stephanie Shirley prometeu que, sempre que fosse possível, a empresa só empregaria mulheres. E, de fato, dos seus primeiros 300 funcionários, 297 eram mulheres. Ela dava prioridade às que tinham filhos, já que elas teriam dificuldade para encontrar trabalho de outra forma.
Shirley permitia que as mulheres trabalhassem em casa para se adaptarem mais facilmente à rotina com a criança. Foi uma decisão totalmente revolucionária nos anos 1960.

A Fundação Shirley, com sede no Reino Unido, foi criada por Steve Shirley em 1986 com uma doação substancial para estabelecer um fundo fiduciário de caridade que foi gasto em 2018 em favor da Autística. A sua missão era “facilitar e apoiar projetos pioneiros com impacto estratégico na área das perturbações do espectro do autismo com particular ênfase na investigação médica”. O fundo apoiou muitos projetos através de doações e empréstimos, incluindo: Autismo em Kingwood, que apoia pessoas com transtornos do espectro do autismo a desfrutarem de uma vida plena e ativa; Tribunal do Prior, maior instituição beneficente da fundação, com escola residencial para 70 alunos autistas e Centro de Jovens Adultos para 20 alunos autistas; Autism99, a primeira conferência online sobre autismo com a participação de 165.000 pessoas de 33 países. Ela dá palestras em todo o mundo (muitas delas remotamente) e está em contato frequente com pais, cuidadores e pessoas com transtornos do espectro do autismo.] Seu filho autista, Giles, morreu após um ataque epiléptico aos 35 anos.
De maio de 2009 a maio de 2010, Steve Shirley serviu como Embaixadora da Filantropia do Reino Unido, uma nomeação governamental que visa dar “voz” aos filantropos.




