Cinco indicações brasileiras ao Oscar: “O Agente Secreto” já está entre os cinco melhores filmes de 2025

Depois do “Agente Secreto” vencer 56 prêmios, entre eles dois Globos de Ouro além do importante prêmio do cinema europeu, o francês Lumiere Awards, até o fechamento desta edição a produção mais premiada do cinema nacional em todos tempos obteve quatro indicações ao Oscar. Também temos ainda a grande surpresa com a indicação da direção de fotografia de Adolpho Veloso na produção “Sonhos de Trem”, TOP!

Adolpho Veloso, diretor de fotografia
indicado ao Oscar: “Cada frame é um quadro”!

“O agente secreto” foi um dos vencedores do Lumière Awards, importante premiação francesa realizada neste domingo (18), em Paris. A obra de Kleber Mendonça Filho estrelada por Wagner Moura foi premiada na categoria de melhor coprodução internacional. O longa é uma coprodução entre Brasil, França, Holanda e Alemanha.

OSCAR

As quatro indicações ao Oscar de O Agente Secreto, filme de Kleber Mendonça Filho, renderam comemorações da classe artística, de fãs do filme e até de time de futebol no último dia 22.

O filme concorre em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Escalação de Elenco e Melhor Ator, para Wagner Moura.

Kleber Mendonça Filho celebrou as indicações de seu filme ao Oscar no Instagram

Na semana passada, o diretor Kleber Mendonça Filho esteve em Londres para participar de sessões especiais do filme voltadas a membros da Academia Britânica de Cinema, responsável pelo Bafta 2026 – o principal prêmio do cinema britânico, equivalente ao Oscar nos Estados Unidos. O longa está na lista de pré-indicados ao Bafta, com o anúncio oficial marcado para 27 de janeiro.

Durante sua passagem pela capital britânica, Mendonça Filho visitou a sede da BBC – onde concedeu entrevistas à BBC News e à BBC News Brasil e falou sobre o reconhecimento internacional do longa e a recepção calorosa dos brasileiros. O encontro foi registrado pelo diretor com uma foto em suas redes sociais.

A presença de O Agente Secreto em tantas premiações é vista por Mendonça Filho como uma prova concreta do prestígio alcançado pelo cinema brasileiro fora do país. Mas, segundo ele, “muito importante, talvez até, em primeiro lugar, é que os filmes brasileiros sejam vistos no próprio Brasil”. “Eu acho que é incrível o Brasil, o brasileiro, as brasileiras terem orgulho de um produto cultural que é brasileiro e que está tendo uma aceitação internacional. Eu acho que o público brasileiro vê no cinema um pouco do que senti vendo a Seleção numa boa fase. Um atleta, um músico”, afirmou. “Fico muito feliz de ver O Agente Secreto tendo se transformado num arrasaquarteirão, num blockbuster brasileiro no Brasil.”

Segundo o diretor, fazer com que o cinema nacional seja visto no próprio Brasil é um dos principais desafios da produção audiovisual, em um cenário marcado pela presença dominante de Hollywood. “E esse é um desafio constante não só para o cinema brasileiro, mas para o cinema francês, para o cinema alemão, para o cinema canadense, para o cinema do mundo inteiro”, diz.

PAÍSES INTELIGENTES FINANCIAM CULTURA

Com orçamento total estimado em cerca de R$ 28 milhões, O Agente Secreto contou com diferentes fontes de financiamento, entre recursos nacionais e internacionais.

Segundo a assessoria da produção do filme, a maior parte – pouco mais de R$ 14 milhões – veio de coprodutores estrangeiros da França, Alemanha e Holanda. Cerca de R$ 5,5 milhões foram financiados pela iniciativa privada e R$ 7,5 milhões pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), ligado à Agência Nacional do Cinema (Ancine).

O fato de parte do dinheiro usado para produção ser proveniente de verba pública gerou críticas ao longa, o que, na avaliação de Mendonça Filho, reflete uma “visão atrasada”, desconectada da forma como outros países tratam a cultura.

“Eu acho que é uma falta de visão extraordinária, porque um país inteligente investe na sua própria cultura, da mesma maneira que um país inteligente investe na educação e na saúde. São investimentos que voltam multiplicados em relação ao que o país, como nação, ganha em identidade, em compreensão do próprio país”, afirmou o diretor. “Então, quanto mais informação ou quanto mais capacidade de você se identificar com o que é feito no país, é melhor para o país.”

De acordo com Mendonça Filho, pouco mais de 100 filmes são feitos todo ano no Brasil, a maior parte deles com incentivos públicos.

“E o Brasil não está sozinho nisso”, pontuou, citando exemplos de países que mantêm políticas de investimento em produção cultural.

“A Coreia do Sul, a França, a Alemanha, Holanda, Austrália, o Canadá, o México, são países que investem na sua própria cultura. Então, me parece que é uma visão muito atrasada e que eu não entendo como ela continua sendo propagada como algo que faz sentido, porque não faz o menor sentido.”

O “Agente Secreto” já conquistou 56 prêmios de 123 indicações

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