Depois do “Agente Secreto” vencer 56 prêmios, entre eles dois Globos de Ouro além do importante prêmio do cinema europeu, o francês Lumiere Awards, até o fechamento desta edição a produção mais premiada do cinema nacional em todos tempos obteve quatro indicações ao Oscar. Também temos ainda a grande surpresa com a indicação da direção de fotografia de Adolpho Veloso na produção “Sonhos de Trem”, TOP!

indicado ao Oscar: “Cada frame é um quadro”!
“O agente secreto” foi um dos vencedores do Lumière Awards, importante premiação francesa realizada neste domingo (18), em Paris. A obra de Kleber Mendonça Filho estrelada por Wagner Moura foi premiada na categoria de melhor coprodução internacional. O longa é uma coprodução entre Brasil, França, Holanda e Alemanha.


OSCAR
As quatro indicações ao Oscar de O Agente Secreto, filme de Kleber Mendonça Filho, renderam comemorações da classe artística, de fãs do filme e até de time de futebol no último dia 22.
O filme concorre em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Escalação de Elenco e Melhor Ator, para Wagner Moura.

Na semana passada, o diretor Kleber Mendonça Filho esteve em Londres para participar de sessões especiais do filme voltadas a membros da Academia Britânica de Cinema, responsável pelo Bafta 2026 – o principal prêmio do cinema britânico, equivalente ao Oscar nos Estados Unidos. O longa está na lista de pré-indicados ao Bafta, com o anúncio oficial marcado para 27 de janeiro.
Durante sua passagem pela capital britânica, Mendonça Filho visitou a sede da BBC – onde concedeu entrevistas à BBC News e à BBC News Brasil e falou sobre o reconhecimento internacional do longa e a recepção calorosa dos brasileiros. O encontro foi registrado pelo diretor com uma foto em suas redes sociais.
A presença de O Agente Secreto em tantas premiações é vista por Mendonça Filho como uma prova concreta do prestígio alcançado pelo cinema brasileiro fora do país. Mas, segundo ele, “muito importante, talvez até, em primeiro lugar, é que os filmes brasileiros sejam vistos no próprio Brasil”. “Eu acho que é incrível o Brasil, o brasileiro, as brasileiras terem orgulho de um produto cultural que é brasileiro e que está tendo uma aceitação internacional. Eu acho que o público brasileiro vê no cinema um pouco do que senti vendo a Seleção numa boa fase. Um atleta, um músico”, afirmou. “Fico muito feliz de ver O Agente Secreto tendo se transformado num arrasaquarteirão, num blockbuster brasileiro no Brasil.”
Segundo o diretor, fazer com que o cinema nacional seja visto no próprio Brasil é um dos principais desafios da produção audiovisual, em um cenário marcado pela presença dominante de Hollywood. “E esse é um desafio constante não só para o cinema brasileiro, mas para o cinema francês, para o cinema alemão, para o cinema canadense, para o cinema do mundo inteiro”, diz.
PAÍSES INTELIGENTES FINANCIAM CULTURA
Com orçamento total estimado em cerca de R$ 28 milhões, O Agente Secreto contou com diferentes fontes de financiamento, entre recursos nacionais e internacionais.
Segundo a assessoria da produção do filme, a maior parte – pouco mais de R$ 14 milhões – veio de coprodutores estrangeiros da França, Alemanha e Holanda. Cerca de R$ 5,5 milhões foram financiados pela iniciativa privada e R$ 7,5 milhões pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), ligado à Agência Nacional do Cinema (Ancine).
O fato de parte do dinheiro usado para produção ser proveniente de verba pública gerou críticas ao longa, o que, na avaliação de Mendonça Filho, reflete uma “visão atrasada”, desconectada da forma como outros países tratam a cultura.
“Eu acho que é uma falta de visão extraordinária, porque um país inteligente investe na sua própria cultura, da mesma maneira que um país inteligente investe na educação e na saúde. São investimentos que voltam multiplicados em relação ao que o país, como nação, ganha em identidade, em compreensão do próprio país”, afirmou o diretor. “Então, quanto mais informação ou quanto mais capacidade de você se identificar com o que é feito no país, é melhor para o país.”
De acordo com Mendonça Filho, pouco mais de 100 filmes são feitos todo ano no Brasil, a maior parte deles com incentivos públicos.
“E o Brasil não está sozinho nisso”, pontuou, citando exemplos de países que mantêm políticas de investimento em produção cultural.
“A Coreia do Sul, a França, a Alemanha, Holanda, Austrália, o Canadá, o México, são países que investem na sua própria cultura. Então, me parece que é uma visão muito atrasada e que eu não entendo como ela continua sendo propagada como algo que faz sentido, porque não faz o menor sentido.”





